A teoria M.A.D (M.A.D Theory)

Os ataques das cidades de Hiroshima e Nagasaki no Japão, realizados pelos Estados Unidos em 1945, revelaram ao mundo, pela primeira vez, o grande poder de extermínio provocado pelas armas nucleares. Desde então, cada vez mais países buscaram obter tal tecnologia, seja como forma de se projetarem como potências militares no cenário internacional, seja como forma de garantirem sua segurança e poder de retaliação caso fossem atacados. Essa corrida armamentista foi intensa durante a Guerra Fria, que apesar de caracterizada como um conflito de ordem muito mais política e estratégica do que bélica, foi marcada pelo amplo desenvolvimento de armamentos nucleares.

Em 1962, a alocação de mísseis nucleares na ilha de Cuba pela União Soviética, durante a chamada Crise dos Mísseis, foi responsável por intensificar o conflito bipolar, que por muito pouco não tomou proporções incontroláveis. Desse modo, em virtude da constante ameaça de que um dos países detentores desses armamentos pudesse atacar e desencadear uma terceira ­– e última – guerra mundial, o termo estratégico-militar M.A.D foi cunhado. A sigla M.A.D., que pode ser traduzida como o adjetivo “louco(a)” em português, corresponde a Mutual Assured Destruction, ou Destruição Mútua Assegurada.

A M.A.D. Theory, ou Teoria M.A.D, se baseia no fato de que o poder de destruição de armamentos nucleares é tão devastador que nenhum país assumiria o risco de utilizá-lo temendo uma retaliação. Ou seja, segundo essa teoria, caso um país atacasse outro país com armamentos nucleares, e o país atacado revidasse também utilizando armamentos nucleares, o que desencadearia uma guerra nuclear, a destruição mútua – e até global – estaria assegurada. Desse modo, nenhuma das partes teria incentivo para iniciar um conflito nuclear, uma vez que nenhum dos lados pode vencer, e nesse caso, nem mesmo sobreviver.

Ao longo da Guerra Fria, a lógica da Teoria M.A.D. foi o que garantiu o equilíbrio e a segurança internacional entre os dois lados do conflito, que temiam a utilização de armamentos nucleares. Porém, a estabilidade desse cenário foi alterada quando Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989, deu início à construção de sofisticados sistemas de defesa antimísseis. A partir de então, tais sistemas supostamente garantiriam que mísseis disparados em direção aos Estados Unidos fossem destruídos antes mesmo de se aproximarem do território do país. Dessa forma, o equilíbrio da balança de poder internacional para armamentos nucleares, vigente desde a década de 1940, foi rompido.

Atualmente, trinta anos após o fim da Guerra Fria, a questão relativa à posse a ao uso de armamentos nucleares segue extremamente relevante, se configurando como um dos principais tópicos das agendas de segurança internacional. Com o avanço irrefreável da tecnologia, sistemas de defesa antimísseis já não são mais exclusividade estadunidense e o enriquecimento nuclear – hoje utilizado, supostamente, para fins energéticos em mais de trinta países no mundo todo – tem crescido cada vez mais. Como consequência, apesar da firmação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) em 1968 e da constante monitoração dos países declaradamente detentores de armamentos nucleares pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), perspectivas futuras permanecem incertas, fazendo com que previsões sobre o desenrolar da balança de poder internacional ainda seja uma incógnita.

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O Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares

O Tratado de Não- Proliferação de Armas Nucleares (TNP) é considerado um esforço global a fim de prevenir a disseminação de armas nucleares e promover o uso pacífico de energia nuclear. Assinado em 1968, este tratado entrou em vigor em 1970, abarcando, atualmente, 191 países integrantes. Os países que participam desse acordo se comprometem a não fabricar ou adquirir armas nucleares. Ademais, é importante acrescentar que há disposições no tratado que preveem uma revisão do funcionamento deste a cada cinco anos.

O TNP estabelece um sistema de salvaguardas sob a responsabilidade da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a fim de garantir a confiança entre os Estados participantes a partir da credibilidade da agência. Tais salvaguardas impedem o desvio de matéria para a utilização de armas e são utilizadas mediante inspeções dirigidas pela Agência Internacional de Energia Atômica. Assim, a AIEA verifica a conformidade dos Estados integrantes com os compromissos estabelecidos pelo Tratado de Não- Proliferação Nuclear.

Quando observamos seus resultados, o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares obteve êxito em seu objetivo de evitar a disseminação de armas nucleares. Contudo, houve pouco progresso em relação a eliminação de arsenais nucleares de Estados já nuclearmente armados. Um problema a ser destacado no TNP é a não-participação de importantes Estados nucleares, como Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel[1]. Por conta da não-adesão destes Estados, a ação do tratado é limitada, uma vez estes países não respondem às salvaguardas da AIEA e não se propõe a compactuar com os termos do TNP.


[1] Para entender a complexidade da questão nuclear israelense, recomenda-se ler o post “A ambiguidade nuclear de Israel” em nosso blog.

A ambiguidade nuclear de Israel

A questão nuclear israelense é, talvez, o caso mais curioso que se pode observar no mundo. O país adota uma posição chamada de ambiguidade nuclear (ou opacidade nuclear), que consiste em não negar e nem confirmar que possui capacidade nuclear. Deste modo, a posição do país é ambígua, e é impossível saber, a partir de informações oficiais do governo israelense, se o Estado de Israel detém armas nucleares.

A opacidade nuclear beneficia Israel estrategicamente, sendo proveniente do desejo de preservar boas relações com potências que são anti-proliferação nuclear e, ao mesmo tempo, obter as vantagens no âmbito da defesa que as armas nucleares proporcionam. De maneira precisa, o que se sabe é que Israel demonstrou interesse em adquirir armas nucleares após sua independência, em 1948, em meio a um cenário de guerra com países vizinhos e de constante ameaça de destruição. Documentos “desclassificados” dos governos estadunidense e israelense indicam que Israel começou seu programa nuclear no início da década de 1960 usando plutônio produzido pela Reator de Pesquisa Israelense II (IRR-2, na sigla em inglês) no Centro de Pesquisas de Negev. Contudo, existem poucas informações a respeito do fato. No geral, é estimado que Israel possua aproximadamente 80 armas nucleares. Nesse contexto, é válido enfatizar que Israel está entre os países que não assinaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), com o governo israelense sustentando que tal tratado não será assinado até que o conflito Árabe-Israelense seja pacificamente resolvido.

Destarte, a ambiguidade nuclear israelense mostra-se vantajosa, já que não negar e nem admitir a presença de armas nucleares fez com que países vizinhos se tornassem desconfortavelmente complacentes com um Israel nuclear. Ademais, tal estratégia proporciona a Israel a habilidade de justificar parcialmente sua política de ataques preventivos que almejam evitar avanço de outros Estados em relação a nuclearização. Nesse contexto, é vital analisar a importância, para Israel, de sua relação com os Estados Unidos, já que os americanos fornecem anualmente ajuda militar aos israelenses. Dessa forma, caso Israel se declarasse como um Estado nuclear, o auxílio dos Estados Unidos seria considerado ilegal.

Portanto, considerando que a estratégia política de ambiguidade nuclear mostra-se vantajosa para Israel, uma mudança para uma política nuclear mais transparente parece improvável. Todavia, alguns analistas internacionais defendem que o abandono da ambiguidade nuclear israelense seria essencial para a estabilidade da região, auxiliando para uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. Quando analisamos a questão nuclear iraniana, por exemplo, a ambiguidade nuclear israelense dificulta uma solução em direção à uma zona livre de armas nucleares na região. Mesmo que o Irã desmantelasse completamente seu programa nuclear, ainda assim não se saberia se Israel tem armas nucleares: caso positivo, o Oriente Médio ainda teria um Estado nuclearmente armado.

Os Estados nuclearmente armados

Estados nuclearmente armados são, por definição, nações que – comprovada ou supostamente – possuem e/ou fazem uso de armas nucleares. Hoje, são nove países que se encaixam nessa categoria: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Somadas, as ogivas nucleares destes países se aproximariam do patamar de 15.000 unidades, estando 3.750 destas à disposição de forças operacionais e outras 2.000 no estado de “alerta operacional”. A despeito dos números, o cenário geral sugere que a quantidade de armamento nuclear no mundo tem consideravelmente diminuído ainda que o investimento em artigos do gênero cresce, isso devido ao processo de modernização das capacidades dos países bem como seus sistemas de entrega.

Muito deste processo paradoxal se dá por conta da concentração de ogivas nucleares nos EUA e na Rússia. Juntos, os dois Estados representam aproximadamente 92% do poderio nuclear mundial, e a redução deste arsenal pode ser encarado como resultado do tratado bilateral firmado entre Washington e Moscou em 2010, o Treaty on Measures for the Further Reduction and Limitation of Strategic Offensive Arms, também conhecido como tratado New START. Ainda que estes dois atores majoritários limitem suas capacidades, outros Estados consideravelmente menores em armamentos nucleares – como Índia, China, Paquistão e Coreia do Norte – demonstram abertamente o interesse em avançar em seus respectivos programas nucleares.

  País Ano do primeiro teste nuclear Ogivas implantadas Ogivas armazenadas   Demais ogivas   Total
EUA 1945 1.750 2.050 2.650 6.450
Rússia 1949 1.600 2.750 2.500 6.850
Reino Unido 1952 120 95 215
França 1960 280 10 10 300
China 1964 280 280
Índia 1974 130-140 130-140
Paquistão 1998 140-150 140-150
Israel sem informação 80 80
Coréia do Norte 2006 (10-20) (10-20)
Total   3750 5.555 5.160 14.465

 No começo de 2018, os EUA mantinham um estoque militar de cerca de 3.800 ogivas nucleares, duzentas unidades a menos em comparação ao início de 2017. Não obstante, os Estados Unidos são os maiores detentores de tecnologia nuclear no mundo com o total de 6.450 ogivas. O programa de modernização nuclear estadunidense, por outro lado, visa substituir e/ou atualizar seus sistemas de distribuição – terrestres, marítimos e aéreos -, o comando e sistemas de controle em seu respectivo Departamento de Defesa, além das próprias ogivas nucleares e sua infra-estrutura. Segundo o Congressional Budget Office, o escritório de orçamento do congresso, é previsto que o processo de atualização nuclear começado pelos governos Obama-Trump custe US$ 1,2 trilhões (com inflação ajustada) entre os anos de 2017 e 2046. O montante corresponde a 6% de toda a despesa em defesa nacional para o mesmo período, estipulou o governo Obama em fevereiro de 2016. O principal argumento do governo norte americano é que países como Rússia e China estão seguindo os mesmos passos de modernização.

O governo russo, por outro lado, manteve em janeiro de 2018 aproximadamente 4350 ogivas em atividade – 2050 são ogivas estratégicas e 1830 não-estratégicas. Outras 2.500 ogivas adicionais foram inativadas ou aguardam desmantelamento. O total é de 6.850, sendo que em comparação com o mesmo período de 2017, o país reduziu em 1950 unidades suas ogivas estratégicas, também respeitando o tratado New START. Contudo, Moscou está firme em manter o máximo de arsenal nuclear possível (acompanhando o “teto” permitido pelo tratado) com o intuito de acompanhar a capacidade dos EUA.

O Reino Unido, por seu turno, possui um total de 215 ogivas, sendo que já em 2015 o governo afirmou sua intenção de diminuir seu arsenal. Assim, as unidades em atividade não passam de 120, e o total de ogivas tende a diminuir para 180 unidades até metade de 2020. Importante é observar que o poderio nuclear britânico consiste exclusivamente em bases navais. Entretanto, marinha nuclearmente equipada não é uma exclusividade dos ingleses. O arsenal nuclear francês conta com aproximadamente 300 ogivas, às quais acompanha um sistema de entrega composto por 48 mísseis balísticos lançados por submarinos, além de 54 outros lançados por aviões de caça. Quatro submarinos Triomphant compõem o ponto principal da força nuclear da França, os quais também são objetos da modernização bélica. Em dezembro de 2017, todos os quatro submarinos foram modificados para suportarem tecnologias mais eficazes na entrega dos mísseis nucleares.

O Estado chinês, a despeito de ter reservas de ogivas nucleares muito menores em comparação a EUA e Rússia – o arsenal chinês soma em sua totalidade 280 unidades – tem modernizado e aumentado suas capacidades lentamente durante a última década. Acredita-se, contudo, que as ogivas chinesas sejam “desmembradas” dos veículos do sistema de entrega, sendo, assim, não disponíveis para o imediato uso. O projeto de modernização chinês é ao longo prazo e tem o objetivo de fortalecer suas capacidades nas estratégias de dissuasão e contra-ataque nuclear. Segundo o próprio governo, os pontos a serem melhorados no sistema de defesa seriam: rápido aviso estratégico [de possíveis ataques], comando e controle, rápida reação, sobrevivência e proteção. Em suma, Beijing tem concentrado seus esforços em melhorias qualitativas ao invés de aumentar seu inventário total.

Estima-se que a Índia, por sua vez, tenha um arsenal crescente de 130 a 140 armas nucleares. Esta quantidade é considerada em cálculos do inventário de plutônio para armamentos do país e no número de sistemas de entrega com capacidade nuclear. Acredita-se que o governo indiano esteja expandindo gradualmente o tamanho de seu arsenal de armas nucleares, bem como sua infraestrutura para produzir ogivas nucleares. Paquistão, semelhante ao seu país vizinho, prioriza o desenvolvimento de novas armas nucleares – em geral, material de fissão, o que inclui tanto o Plutônio quanto o Urânio Altamente Enriquecido (HEU, na sigla em inglês) e sistemas de entrega. O programa nuclear paquistanês diz respeito à sua postura de enfrentamento ao programa indiano.

O Estado de Israel não publica informações oficiais se possui ogivas nucleares ou não (postura conhecida como ambiguidade nuclear, que abordaremos no próximo post aqui no blog). Como Índia e Paquistão, Israel nunca fez parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Documentos “desclassificados” do governo estadunidense e também do israelense indicam que o país começou seu programa nuclear no início da década de 1960 usando plutônio produzido pela Reator de Pesquisa Israelense II (IRR-2, na sigla em inglês) no Centro de Pesquisas de Negev. Contudo, existem poucas informações a respeito do fato. No geral, é estimado que Israel possua aproximadamente 80 armas nucleares.

Por fim, a Coreia do Norte mantém um programa de armas nucleares ativo, mas altamente opaco. Estima-se que o país tenha produzido de 10 a 20 unidades e que o tem aumentado a quantidade de suas armas de Plutônio de pronto uso. Em 2017, imagens obtidas de um satélite comercial e outras imagens termais indicaram que um laboratório radio químico está em funcionamento no Yongbyon Nuclear Scientific Research Center (YNSRC) para a separação de Plutônio. Em 2016, o Estado norte coreano abriu-se publicamente para informar que produz Urânio Altamente Enriquecido (HEU) para armas nucleares, e em setembro de 2017 conduziu seis explosões-testes em seu campo experimental Punggye-ri. Após os testes, o Instituto de Armas Nucleares Norte Coreano anunciou que o evento foi um bem-sucedido teste de bombas de hidrogênio que poderiam ser entregues com um sistema balístico internacional. Baseado em diversas evidências indiretas, especialistas internacionais afirmaram que não é possível precisar se o Estado norte coreano possua de fato armas termonucleares. A Coreia do Norte havia conduzido testes anteriores, no mesmo campo, nos anos de 2006, 2009 e 2013.

A segurança dos arsenais nucleares

As armas nucleares modificaram não só as estratégias, mas também o relacionamento entre os Estados. O número de potências nucleares aumentou em quantidade e os arsenais à disposição melhoraram a sua capacidade de entrega de ogivas nucleares, criando adicionais desafios em diferentes zonas do globo. A lógica de emprego dos armamentos nucleares impõe diversas considerações para promover a segurança dos arsenais, a fim de minimizar os acidentes nucleares, o risco de escalada acidental e o risco de que grupos, que não possuem autorização, tenham acesso aos arsenais.

A Segurança Física dos arsenais tem por objetivo evitar os acidentes nucleares. Um exemplo importante seria a queda de aeronaves que transportavam armamentos nucleares durante a Guerra Fria, demandando operações que garantissem a desativação das ogivas. Garantir a segurança física dos arsenais não é um procedimento simples, principalmente em países como a Coreia do Norte, que apresenta capacidade técnica relativamente menor quando comparada a potências nucleares, como China, Estados Unidos e Rússia.  Além de bem manejados, os arsenais devem ser bem guardados, impedindo o acesso de grupos não-autorizados, como grupos terroristas. 

Outro fator importante seria a Segurança de Decisão, baseada em uma cadeia de comando e controle confiáveis. Segundo está lógica, as únicas pessoas capazes de ordenar um ataque nuclear devem ser de confiança e ocuparem uma posição hierárquica alta suficiente para fazer isso. Para que essa decisão aconteça, deve ser pensada e conversada entre diferentes autoridades – em diferentes posições -, como o presidente, ministro da Defesa, generais e especialistas. Os países com arsenais mais recentes possuem um procedimento de tomada de decisão não muito confiável, considerando as estruturas de governança mais frágeis, como o Paquistão.

Feitas essas considerações, é perceptível a importância de se pensar a segurança dos arsenais nucleares que, caso em mãos erradas, podem gerar grandes catástrofes. É necessário pensar em maneiras eficazes de garantir a segurança dos arsenais, na medida em que os armamentos nucleares se proliferam pelo mundo.

Os meios de entrega das armas nucleares

Ao se tratar de armamentos nucleares, tão importante quanto o estudo acerca da produção e dos efeitos causados por esses tipos de equipamentos, é a compreensão acerca dos meios de entrega destas armas. A tecnologia de entrega de armamentos nucleares consiste no sistema utilizado para posicionar a arma em direção ao alvo, que pode ser um país, uma cidade, uma base militar ou qualquer outro local de interesse. Assim, para tal, os meios de entrega de armamentos nucleares mais comumente utilizados são os mísseis balísticos e de cruzeiro; aviões de combate, os chamados “bombers”; e veículos aéreos não tripulados, conhecidos popularmente como drones. Além disso, é válido ressaltar que métodos menos dispendiosos como caminhões e navios também podem ser recorridos, geralmente por grupos não-estatais, devido à facilidade de acesso.

Os mísseis balísticos e de cruzeiro, meios de entrega de armamentos mais utilizados desde a Segunda Guerra Mundial, podem ser armados por ogivas convencionais, como explosivos, bem como por ogivas não convencionais, categoria na qual se encaixam os armamentos nucleares. A partir disso, a trajetória realizada por mísseis balísticos, geralmente, consiste no lançamento a distância de mísseis que saem da atmosfera da Terra e depois retornam, atingindo o alvo desejado de forma rápida e altamente destrutiva. Já os mísseis disparados por cruzeiros, apesar de terem um menor alcance e uma baixa altitude, são automatizados por um sistema de orientação e navegação, o que torna o ataque mais preciso e dificulta a interceptação desses mísseis.

Apesar do progressivo desenvolvimento das tecnologias de entrega de mísseis balísticos e de cruzeiro durante o século XX, diversas melhorias na força de bombardeios foram realizadas, resultando no estabelecimento de comandos aéreos estratégicos durante o início da Guerra Fria. Os aviões de combate, ou “bombers”, que também podem ser carregados com ogivas nucleares, têm a função de realizar ataques de bombardeios de baixo nível contra forças terrestres inimigas, instalações, tanques e outros veículos blindados. As principais vantagens do uso desse tipo de entrega se dão por conta da sua precisão de bombardeio e pela capacidade de armazenamento balístico consideravelmente grande, causando danos severos aos alvos.

Por fim, os veículos aéreos não tripulados, conhecimentos como drones, também desempenham um importante papel no sistema de entrega de armamentos. Tais equipamentos, inicialmente utilizados apenas para reconhecimentos de rotina e como instrumentos de comunicação, atualmente também têm sido utilizados como armas, destinadas a situações táticas, como em casos de combate a grupos paramilitares e insurgentes. Esses drones, que possuem longo alcance e são capazes de realizar missões nucleares, são controlados via navegação por satélite, o que dispensa a presença de uma tripulação no interior da aeronave, evitando eventuais baixas em um exército. Além disso, a rapidez de locomoção e a discrição de tais instrumentos fazem com que a utilização de veículos aéreos não tripulados sejam um dos meios mais adotados pelos exércitos de países como Estados Unidos, Israel, China, Índia, Paquistão, Rússia e Coreia do Norte.

Os efeitos de uma explosão nuclear

Uma vez que se concretize a construção de uma bomba nuclear, quais os efeitos que a sua explosão pode causar? Os efeitos de uma explosão nuclear dependem diretamente da capacidade de destruição da bomba utilizada e alguns desses efeitos podem se assemelhar a explosões de espécie não nuclear, embora os efeitos nucleares sejam em uma escala muito maior e com um potencial de destruição incomparável.

O efeito imediato de uma explosão é uma imensa bola de fogo que destrói tudo aquilo que estiver em seu raio de alcance, o que inclui construções e seres vivos de maneira geral. O segundo efeito originado é uma onda de choque. Seu alcance destrutivo é muito maior do que da bola de fogo, pois se caracteriza por um deslocamento do ar saindo do ponto central da explosão gerando uma pressão com potencial destrutivo. Essa pressão tem uma capacidade de destruir prédios e ate mesmo o corpo humano. A radiação térmica é um outro efeito, seu alcance tambem é bem maior do que o efeito da bola de fogo, haja vista que, pode ser sentido a quilômetros de distância do epicentro da explosão. Esse efeito se caracteriza como uma sensação térmica que tem potencialidade para fazer papel e tecidos entrarem em combustão instantânea. Esses efeitos são resultantes de explosões nucleares, mas tambem de explosões convencionais.

Um dos efeitos específicos de uma explosão nuclear é a radiação nuclear que vai se ramificar em duas: Radiação Nuclear Inicial e Radiação Nuclear Residual (Fallout).  A Radiação Nuclear Inicial é liberada decorrente das reações nucleares, incidindo sobre a pele humana e causando danos às células. Esses danos podem variar, dada a distância que o indivíduo se encontra da explosão. Decorrente da explosão muitos resíduos ficam empregados de radiação e ficam suspensos na atmosfera, o que é chamado de Fallout. Tais resíduos tendem a cair com uma intensidade que varia em relações às condições climáticas e geográficas.  Então mesmo após o fim de uma explosão nuclear os lugares que receberem esses resíduos com uma grande intensidade podem ficar radioativos por um tempo indeterminado.

Para se analisar de maneira visual todos esses efeitos, pode ser utilizado um programa chamado Nukemap, no qual se pode simular explosões nucleares em diversas partes do mundo com diferentes intensidades explosivas.  No Nukemap, após a escolha de uma cidade e do explosivo a ser utilizado, o programa vai gerar um mapa na qual será observável a área de destruição de cada um dos efeitos, anteriormente citados, além de quantificar o potencial destrutivo de cada um. Os dados gerados no Nukemap não são resultados precisos, mas são os dados mais aproximados com uma realidade e que facilitam o entendimento dos efeitos causados por explosões nucleares. O link para o Nukemap é o que segue: https://nuclearsecrecy.com/nukemap/ . Dá até pra testar qual seria o poder explosivo de uma bomba atômica no seu bairro ou cidade!