O que eu devo levar?

Com nosso MINIONU cada vez mais próximos, achamos importante trazer mais algumas dicas para vocês. Desta vez, falamos sobre o que é importante levar para o evento. Para facilitar e ajudar vocês a não esquecerem nada, fizemos uma pequena checklist!

Credencial/ Crachá

Após o credenciamento na sexta-feira, vocês terão em mãos seus crachás. É fundamental portar o crachá nos dias do evento, uma vez que este nos ajuda com a organização. Também é importante estar com um documento de identidade em caso de qualquer imprevisto ou emergência.

Documento de Posição Oficial

O Documento de Posição Oficial é importantíssimo para nosso debate. Este documento deve ser impresso e entregue à mesa no início da primeira sessão, no sábado. Caso tenham dúvidas sobre como escrever um DPO, nós fizemos um post sobre o assunto aqui. Também é importante levar as anotações que vocês fizeram durante a preparação para o MINIONU, uma vez que isso pode te ajudar muito na hora do debate.

Laptop/ Tablet e pen-drive

Caso possua um notebook ou tablet, pode ser interessante levá-lo para o evento. O equipamento facilita o processo de redação de propostas de resolução ou emendas e pode te ajudar com alguma pesquisa de última hora. Não se esqueça de checar a bateria antes de sair de casa: temos poucas tomadas para muitos delegados. Um adaptador também pode ser útil! O pen-drive é importante na hora de encaminhar os documentos produzidos à mesa, e pode facilitar bastante esse processo. Entretanto, é importante lembrar que a PUC não se responsabiliza por objetos perdidos nos dias do evento, então cuidem bem do que levarem.

Não esqueceram nada, delegad@s? A gente se vê sexta-feira!

Com que roupa eu vou?

Nosso evento já começa nessa sexta-feira (20)!!! Passou rápido, né? Já decidiram como vão ir vestidos ao MINIONU? Dessa vez, estamos aqui para ajudar vocês com isso!

O MINIONU é uma simulação do ambiente diplomático, no qual espera-se que sejam utilizados trajes formais. Entretanto, dentro desta formalidade existem várias opções que vocês podem escolher.

Talvez seja melhor começarmos pelo que não usar. Para os meninos, não é adequado o uso de shorts, bermuda, boné, casaco de moletom, entre outros. Recomenda-se o uso de uma camisa social e uma calça social, com sapatos sociais ou um sapatênis de cores neutras. Um terno também é sempre bem-vindo! Caso não seja possível utilizar nenhuma das opções, é viável fazer adaptações.

Para as meninas, as melhores escolhas são terninhos, vestidos, saias lápis e tailleurs, dando devida atenção ao comprimento de vestidos e saias, que não podem ser muito curtos para o ambiente diplomático. Saltos e sapatilhas são os mais indicados para compor o look de maneira elegante e confortável, lembrando que vocês podem trazer chinelos para utilizarem durante os intervalos.

Para além disso, também é interessante tentar representar a cultura do país que você representa através das suas roupas! Seja através das cores ou dos acessórios, os looks característicos de cada país são muito bem recebidos no MINIONU!

É importante lembrar que vocês não precisam comprar roupas para o evento! Sempre é possível pegar uma roupa social com um amigo ou familiar. Caso o acesso a qualquer roupa social esteja difícil, também é possível adaptar o vestuário. A única exigência é lembrar da formalidade exigida pelo ambiente diplomático.

Proposta de resolução + emendas (Revisão de Regras)

A proposta de resolução é o documento mais importante produzido em nosso comitê. Através dela, os delegados expõe os consensos alcançados durante os debates e propõe cursos de ação para solucionar os problemas que motivaram a Conferência. Uma Proposta de Resolução, para ser submetida ao debate, requer aprovação da Mesa Diretora e das assinaturas de pelo menos um terço das delegações presentes. A assinatura de uma proposta não necessariamente indica suporte das ideias nela contidas, mas sim a vontade do delegado signatário de vê-las em discussão. Dessa forma, vale ressaltar a diferença entre patrocinadores e signatários. O patrocinador apoia a proposta e o conteúdo da mesma, ao ponto que o signatário, como já foi dito, apenas quer ver a proposta ser debatida.

A primeira parte de uma Proposta de Resolução é o preâmbulo, na qual são feitas considerações acerca do tema debatido e do que já foi feito até então. O preâmbulo é estruturado em tópicos geralmente iniciados por verbos no gerúndio e suas cláusulas preambulares têm sempre a primeira palavra ou expressão em itálico e, são sempre terminadas em vírgula. A segunda parte de uma Proposta de Resolução é composta por cláusulas operativas. Estas são as decisões de fato que foram alcançadas naquele comitê. Aqui também se respeita a estrutura de tópicos, mas estes são iniciados com verbos no infinitivo. As cláusulas operativas são sempre numeradas e devem terminar em ponto-e-vírgula, à exceção da última, que é terminada por ponto final.

A qualquer momento, os delegados podem reunir-se para a redação de uma Proposta de Resolução e, assim que possível, enviarem-na à Mesa Diretora para apreciação. Caso seja apreciada e aprovada pela Mesa Diretora, serão disponibilizadas cópias individuais da Proposta para cada delegado. A Mesa Diretora poderá intervir, neste momento, para a solução de questões técnicas do documento (formatação, erros de ortografia ou gramática, etc.). Um dos delegados signatários pode, então, apresentar uma Moção para Introdução de Proposta de Resolução para que sejam tomadas as medidas necessárias para debate do documento. Será garantido a delegação que apresentou a moção, tempo para que realize a leitura do documento para o Comitê. A delegação deve ler unicamente as cláusulas operativas da proposta de resolução. Não será permitido, neste momento, tempo para comentários ou considerações a respeito do conteúdo do documento; o leitor da Proposta deverá ater-se unicamente à leitura do documento conforme apresentado à Mesa Diretora.

Após a leitura da proposta, debate-se o conteúdo do documento, com a possibilidade de uma proposta de emenda. Para que uma emenda à proposta seja enviada a mesa, é necessário a assinatura de 1/5 dos membros do comitê. Uma vez apreciada pela mesa, a emenda é lida e colocada em debate. Ao fim do debate da emenda, se vota o documento, com necessidade de maioria qualificada para a aprovação. Caso aprovada, a emenda é inserida na proposta de resolução.

Depois do debate sobre a proposta de resolução, a lista pode ser fechada ou encerrada através de moção pedida pelos delegados. Após o encerramento da lista, passamos para os processos de votação. Neste momento, a proposta pode ser dividida através de uma moção para divisão da questão, votando os tópicos separadamente ou em blocos. Os tópicos aprovados são reunidos em uma nova proposta de resolução, que será votada enquanto documento final e precisa de consenso entre as partes para sua aprovação.

Quórum e votações (Revisão de Regras)

O quórum se refere à totalidade de delegações presentes em cada sessão. No caso do nosso comitê, o quórum é de 30 delegações, somando membros da Conferência do Desarmamento e as delegações convidadas.

O quórum define as votações no nosso comitê. Existem dois tipos de votação: as de caráter procedimental e as de caráter substancial. As questões procedimentais dizem respeito aos procedimentos normais do debate dentro do comitê, o rumo e forma como os debates acontecem, ou seja, ao andamento do comitê, envolvendo votação de moções. As questões procedimentais, para serem adotadas, precisam da aprovação da maioria simples do comitê (50%+1), ou seja, 16 delegados. Delegações convidadas do comitê podem votar nesse tipo de questão, o que não acontece com as questões substanciais. Além disso, não existe o direito de se abster desse tipo de votação, sendo obrigatório o voto a favor ou contra tal procedimento. Se a Mesa perceber a abstenção de algum delegado, ela deve repetir o procedimento até que todos os membros do comitê tenham votado.

As questões substanciais, por sua vez, são aquelas relativas à adoção de decisões que dizem respeito ao tema da discussão do tópico e documento final produzido, como votação de resolução e emendas. As questões substanciais requerem uma aprovação por maioria qualificada, ou seja, 2/3 das delegações presentes. Nesse tipo de votação aqueles que se declararam “presente” durante a chamada podem se abster, sendo que só membros permanentes do comitê votam, excluindo-se assim os convidados. No nosso caso, existem 26 membros permanentes no comitê, o que implica na maioria qualificada de 18 delegações. As delegações convidadas de nosso comitê são a Arábia Saudita, Afeganistão, Líbia e Agência Internacional de Energia Atômica, que não podem votar nas questões substanciais, apesar de poderem participar de todos os debates.

Moções (Revisão de Regras)

Revisadas nossas Questões, é hora de falar das moções em nosso comitê. As moções também podem ser solicitadas sempre que a mesa diretora perguntar se há alguma questão ou moção. Diferentemente das questões, prontamente solucionadas pela mesa, as moções envolvem uma votação, uma vez que representam funções procedimentais. Deste modo, toda moção precisa ser aprovada por maioria simples (50% + 1) para entrar em vigor. Vamos a elas:

Moção para Introdução do Tópico: Nosso comitê é pautado por uma agenda com alguns tópicos. Essa Moção muda o tipo de debate, que passa, por exemplo, da Lista de Oradores Geral, para a Lista de Oradores do Tópico.

Moção para Adiamento da Sessão: Quando próximo do horário de encerramento de uma sessão estabelecido previamente no calendário do evento, a Mesa anunciará que estará aberta para Moções de Adiamento de Sessão. Se adiada, a Reunião será reiniciada no próximo horário agendado. Não é possível adiar a última sessão. Geralmente a moção é pedida antes dos horários de almoço e ao fim do dia no sábado.

Fechamento e reabertura da lista de oradores: Durante o curso do debate, um delegado pode apresentar uma moção para o fechamento da lista de oradores. Se aprovada, a lista será fechada e nenhuma representação poderá ser adicionada a ela. Ao término dos discursos das representações já indicadas na lista, o debate será, caso não haja a apresentação de uma moção de reabertura da lista ou de debate moderado/não moderado, automaticamente encerrado e se seguirá ao processo de votação.

Encerramento da lista de oradores: Um delegado poderá, em momento apropriado, propor moção para o encerramento do debate. Se aprovada, a Mesa declara o debate como encerrado e imediatamente segue para o processo de votação da(s) proposta(s) de documento final/emenda que estiver em pauta.

Moção para introdução da proposta de resolução: Um dos delegados signatários pode apresentar uma moção de introdução de proposta do Documento Final para submete-la à apreciação da Mesa Diretora, que a aceitará ou não. Caso seja aceita, a Mesa disponibilizará o texto da redação a todas as delegações. Será garantido ao(a) delegado(a) que apresentou a moção, tempo para que realize a leitura para a Reunião que deve ler unicamente as cláusulas operativas da proposta de resolução. Não lhe será permitido tempo para comentários.

Moção para arquivamento de Tópico: Caso as discussões sobre determinado tópico da agenda não estejam sendo produtivas ou esteja difícil tomar uma decisão, o comitê poderá arquivar o tópico da agenda. Arquivar um tópico significa adiar a decisão sobre o mesmo, para outra sessão ou para mais tarde na mesma sessão. Caso já tenha sido aprovada alguma resolução, no entanto, o tópico não poderá ser arquivado. Após arquivado, um tópico pode ser reintroduzido no debate a partir de uma Moção para Reconsideração do Tópico.

Moção para Mudança do Tempo de Discurso: Esta moção permite que o delegado altere o tempo máximo de discurso previamente estabelecido. Quando apresentada, estará sujeita à avaliação da Mesa e, uma vez em ordem, poderá ser colocada em votação ou acatada automaticamente pela Mesa.

Moção para Divisão da Questão: Antes de ser iniciado o processo de votação, a Mesa abre espaço para questões ou moções em ordem. A delegação poderá propor uma moção para divisão da questão, a fim de que as cláusulas operativas da (s) proposta (s) de documento final sejam votadas separadamente. Após a moção ser apresentada, a Mesa reconhece no máximo dois oradores favoráveis e dois contrários à moção. Em caso de aprovação, instalar-se-á, prontamente, um debate não-moderado (de no máximo 3 minutos) para que os delegados formulem (por escrito) propostas de divisão. Em seguida, a Mesa Diretora acolherá todas as propostas de divisão apresentadas pelos delegados. Em caso de mais de uma proposta para a divisão da questão, a Mesa colocará em votação, separadamente e em primeiro lugar a proposta mais radical, ou seja, aquela que sugerir o maior número de divisões. Se a primeira proposta de divisão receber os votos da maioria simples dos delegados presentes, a proposta de resolução será dividida conforme estabelecia tal proposta. Se a primeira proposta de divisão falha, a Reunião prosseguirá na apreciação da segunda proposta de divisão da questão feita pelos delgados, e assim subsequentemente, até a aprovação de uma proposta de divisão ou não aprovação de nenhuma. Caso aprovada uma proposta de divisão, prossegue-se à votação das cláusulas de acordo com a divisão aprovada. Se todas as cláusulas operativas forem rejeitadas pela Reunião, a proposta de documento final é prontamente descartada. Deve-se lembrar que, ainda que as partes da divisão da questão são aprovadas separadamente, posteriormente coloca-se em votação a proposta de resolução como um todo.

Questões (Revisão de Regras)

Como já estamos muito perto do nosso evento, é hora de revisar algumas regras com vocês! Hoje, trouxemos as questões que vocês podem pedir durante nossas sessões, bem como suas funções. Vocês podem pedir uma questão sempre que a mesa diretora peguntar se há alguma questão ou moção.

Questão de dúvida: Uma questão de dúvida é uma questão referente ao andamento do comitê, ou sobre o funcionamento de seus procedimentos. Neste sentido, a questão de dúvida é bem literal: se tem uma dúvida, esse é o momento para saná-la!

Questão de ordem: Uma questão de ordem é uma questão relativa às regras do comitê. Se a Mesa Diretora comete algum erro em algum procedimento durante os trabalhos do comitê, como por exemplo, se um Voluntário risca o nome de um delegado na lista de oradores sem que ele tenha discursado. A questão de ordem deverá ser imediatamente apreciada pela Mesa Diretora, que poderá desconsiderá-la se o delegado proponente não houver mostrado moderação e decoro no uso desse direito ou se a questão for inapropriada em sua natureza.

Questão de privilégio pessoal: Se algum delegado sente algum tipo de desconforto físico durante as sessões do comitê, como por exemplo, se ele não estiver ouvindo claramente o discurso de outra delegação – vale lembrar, no entanto, que essa moção não diz respeito ao entendimento do discurso, mas sim a altura com a qual o discurso está sendo proferido – ou também se estiver com calor e quiser o ventilador seja ligado, ou vice-versa, ele pede uma questão de privilégio pessoal. A delegação também pode pedir uma questão de privilégio pessoal quando o delegado ou delegada se sentir pessoalmente ofendido(a) por outra delegação. Essa questão é a única que pode ser pedida durante o discurso de outro delegado, interrompendo-o. Após solucionada a questão, a mesa restituirá o tempo do delegado interrompido.

Doomsday Clock (Relógio do Juízo Final)

O Doomsday Clock (Relógio do Juízo Final) é uma metáfora criada por cientistas e pesquisadores e publicada todos os anos no Bulletin of Atomic Scientists, da Universidade de Chicago. Todos os anos o horário do relógio é atualizado e, quanto mais perto de meia-noite, mais próximos estaríamos de destruir o planeta.

O Doomsday Clock foi criado em 1947 e já teve seu horário alterado 23 vezes desde então, com uma série de variações. Em 1953, o relógio marcava 2 minutos para meia-noite, no contexto dos primeiros testes de bombas termonucleares pelos Estados Unidos e União Soviética. Em 1991, o relógio marcou 17 minutos para meia-noite, o mais distante de meia-noite em todas as medições, no contexto da assinatura do START I, acordo bilateral de desarmamento entre EUA e URSS.

Em 2018, o relógio voltou a marcar 2 minutos para meia-noite, igualando a marca mais próxima da destruição do planeta na história. A mudança se deve, entre outros fatores, aos desenvolvimentos do Tratado Nuclear do Irã, com a saída dos EUA do acordo, e às divergências entre Estados Unidos e Rússia em relação ao Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF). Ademais, a pequena distância da meia-noite também se deve ao avanço das mudanças climáticas e incapacidade dos líderes globais de encontrar soluções para a questão ambiental.

Um dos trechos do boletim emitido diz que “os seres humanos inventaram armas nucleares e as máquinas movidas a combustíveis fósseis que contribuem para as mudanças climáticas. Sabemos como eles funcionam, então, presumivelmente, podemos encontrar maneiras de reduzir ou eliminar o dano. Mas precisamos de cooperação em todo o mundo para evitar calamidades”. Na Conferência do Desarmamento que simularemos, é importante lembrar da crítica situação em que nos encontramos e buscar contribuir para uma solução da questão nuclear, visando um mundo mais seguro para todos.

Documento de Posição Oficial (DPO)

Com nosso evento cada vez mais próximo, é hora de falar sobre um dos documentos mais importantes do MINIONU: o Documento de Posição Oficial (DPO). Cada delegação deve chegar ao evento com o DPO em mãos, sendo este um documento fundamental para que todos delegados se orientem no debate. O DPO consiste em um breve histórico do posicionamento de seu país em relação ao tema do nosso comitê, bem como o posicionamento atual que será tomado no debate durante os dias do evento. Em termos gerais, um DPO deve abarcar:

  • História de seu país relacionada ao tema do comitê;
  • Como a temática é relevante para seu país;
  • Políticas e outras medidas realizadas por seu país em relação ao tema;
  • Tratados, convenções e resoluções que seu país é signatário/ apoia;
  • Qual a solução que seu país propõe para a agenda do comitê;
  • Como o posicionamento de outros países é relevante para o posicionamento do seu país (alianças e rivalidades);
  • Fontes da pesquisa;

Em relação ao formato do DPO, espera-se que ele contenha:

  • Entre uma e duas páginas de extensão;
  • Brasão de armas do país no canto superior direito do documento;
  • Cabeçalho com: nome do comitê, nome do país e nome do delegado;
  • Formatação: fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5 e texto justificado.

O DPO é muito importante para o debate e exige uma boa pesquisa sobre seu país. A elaboração do DPO é uma ótima oportunidade para aprender mais sobre seu país e sobre os temas do nosso debate. Em caso de dificuldades com a pesquisa, sintam-se à vontade para entrar em contato conosco.

Abordagens para a eliminação de armas nucleares

Apesar de sempre relevante, muitas vezes a agenda de desarmamento nuclear foi pouco efetiva e levou a avanços menores que os desejados. Embora o regime atual de desarmamento nuclear pareça fortemente estruturado com o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e as decisões tomadas nas conferências de revisão do tratado, a implementação sistemática destas decisões não têm ocorrido e quatro dos nove Estados que possuem armas nucleares nem sequer estão vinculados legalmente às normas do TNP. Em suma, ainda há um longo caminho a ser percorrido rumo ao desarmamento nuclear.

Ao longo dos anos, foram desenvolvidas diferentes abordagens para a eliminação de armas nucleares, que abarcam múltiplos cenários de negociação, mas sempre objetivando o desarmamento. Duas questões fundamentais são parte de todas as abordagens de desarmamento nuclear: proibição e eliminação de armas nucleares. É inquestionável que estas duas medidas são necessárias para um efetivo desarmamento nuclear, mas as nuances entre as abordagens se encontram na falta de consenso sobre como aplicá-las.

A abordagem completa

A abordagem completa busca solucionar questões relativas à proibição e eliminação de armas nucleares em um único instrumento legal. Este instrumento legal, caso aderido por todas as partes, incluindo os nove Estados nuclearmente armados, forneceria uma arquitetura legal completa para um mundo sem armas nucleares. Apesar de promissora, a ideia de uma convenção que utilize da abordagem completa não chegou a ser sistematicamente apoiada por nenhum Estado que possui armas nucleares.

Os apoiadores de uma abordagem completa para a questão nuclear preveem uma série de fases para a eliminação das armas nucleares. A primeira fase tangeria a retirada das armas nucleares que apresentam estado de alerta, seguida pela fase de remoção das armas em desenvolvimento e impedimento do desenvolvimento de novas armas. Posteriormente, seriam desabilitadas as ogivas nucleares, removendo e desfigurando seus núcleos explosíveis e colocando o material físsil das ogivas sob controle internacional. Cada uma das fases conteria um período negociável de tempo para sua conclusão. Para assegurar a legitimidade do processo, seria obrigatória por parte dos países a divulgação de declarações contendo dados sobre inventários de armas e materiais nucleares.    

Para que a abordagem completa obtenha sucesso, faz-se necessária a participação e apoio de todos (ou quase todos) Estados nuclearmente armados, o que provavelmente não acontecerá em nenhum futuro próximo. O problema tange conseguir fazer com que todos os Estados nuclearmente armados negociem uma convenção legalmente-vinculante para eliminar suas próprias armas nucleares dentro de um período de tempo definido. Um dos maiores desafios para a negociação e implantação de um tratado baseado na abordagem completa para eliminação de armas nucleares está na resistência das potências nucleares a esse tipo de projeto.

A abordagem estrutural

A abordagem estrutural consiste na busca por um conjunto de medidas sequenciais efetivas para a eliminação de armas nucleares, dentro de um acordo-quadro negociado entre as partes. Em contraste à abordagem completa, a abordagem estrutural não requer que todas as partes se vinculem simultaneamente a todos os elementos de um acordo proibitivo, tornando sua execução mais plausível.

Uma abordagem estrutural legalmente vinculante para a proibição de armas nucleares pode assumir diferentes formas. Uma delas seria um acordo geral com protocolos adicionais pautados com o tempo e contendo medidas específicas. Deste modo, os protocolos adicionais apresentariam certa flexibilidade para as negociações, que poderiam ser pautadas de acordo com seus interesses e em um período de tempo negociável. Outra abordagem pode trazer um acordo geral que já estipule a sequência de protocolos adicionais e o prazo para sua adição, sem que haja necessidade da negociação de cada um deles posteriormente ao acordo geral. Um mecanismo interessante pode ser pautar questões de proibição das armas nucleares no acordo geral e utilizar os protocolos adicionais para negociar questões que tangem os arsenais nucleares já existentes, como seu controle ou até mesmo eliminação progressiva.

A abordagem passo-a-passo

Uma terceira abordagem, preferida pelos Estados detentores de armas nucleares e pela maioria dos seus aliados, é um processo passo-a-passo para a eliminação de armas nucleares. Essa abordagem se tornou um modo tradicional de pensar sobre o desarmamento nuclear: são tomados passos independentes, como negociar uma proibição abrangente de testes nucleares, prover garantias de segurança adequadas para Estados não-nucleares, deter a produção de material físsil e negociar tratados verificáveis de redução de armas, em passos sucessivos e de apoio mútuo até que um mundo sem armas nucleares seja alcançado. Os Estados que favorecem essa abordagem relutam, ou até mesmo se opõem, em alguns casos, à busca de um acordo único, abrangente e calendarizado sobre a proibição e a eliminação de armas nucleares.

 Muitas vezes, em abordagens passo-a-passo, não é proposta nenhuma articulação clara entre os passos, o que pode comprometer o processo. Outra desvantagem desta abordagem é o fato de seus proponentes darem baixa prioridade à negociação de um acordo legalmente vinculante que aborde a eliminação de arsenais nucleares. Neste contexto, tratados para a proibição de armas nucleares    são vistos como instrumentos para desviar a atenção da possibilidade de negociação de medidas para a eliminação dos arsenais nucleares. A partir dessa noção, se torna compreensível a preferência dos Estados nuclearmente armados por esse tipo de abordagem.

A abordagem via tratado de proibição

A abordagem via tratado de proibição é a mais recente a emergir e também a que recebe mais apoio da sociedade civil. A ideia dessa abordagem é que um tratado que bane armas nucleares estigmatizaria a posse dos arsenais nucleares, abrindo caminho para o desarmamento nuclear no futuro. A abordagem é beneficiada porque, ao apenas tanger o espectro da proibição, pode ser adotada também pelas potências nucleares, uma vez que a eliminação dos arsenais é citada como fase posterior ao tratado e não legalmente vinculada a ele.

Apesar de tratar apenas da proibição das armas nucleares, a abordagem vê a proibição enquanto precursora ou até pré-requisito para uma eventual eliminação de armas nucleares. Um amplo tratado de proibição deslegitimaria, consequentemente, a posse das armas nucleares, tornando os Estados mais inclinados a trabalharem neste sentido. Um claro ponto fraco da abordagem é a incerteza sobre a negociação de um tratado para a eliminação de armas nucleares posteriormente.

Uma perspectiva crítica para a nuclearização iraniana: Noam Chomsky

Noam Chomsky, ao escrever sobre as implicações da possível nuclearização iraniana, adota uma perspectiva mais crítica que a de Henry Kissinger, no sentido de não acatar a questão nuclear do Irã como uma ameaça material e objetiva, mas sim como uma construção discursiva desta ideia de ameaça, o que nos permite problematizá-la. De acordo com Chomsky, uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio seria uma maneira simples e efetiva de lidar com qualquer tipo de ameaça que o Irã viesse a representar para a estabilidade da ordem mundial. Porém, existem muitos outros fatores em jogo no que concerne à ameaça iraniana, principalmente no que tange os Estados Unidos e sua forte relação de amizade com Israel. Nos Estados Unidos, é quase que senso comum entre comentaristas políticos dizer que o Irã é a mais grave ameaça à paz mundial. Porém, é cabível questionar qual seria a natureza desta ameaça, sua real relevância e por que a preocupação norte-americana em relação ao Irã é tão maior que a de rivais regionais iranianos, como por exemplo, a Arábia Saudita e Israel.

Segundo Chomsky nenhum analista político sério acredita que o Irã utilizaria, ou ameaçaria utilizar, uma arma nuclear caso tivesse alguma, muito pela noção de que os iranianos enfrentariam a destruição instantânea logo em seguida. Excluída esta preocupação, o próximo tópico ao se falar sobre a ameaça iraniana certamente seria referente ao apoio do país ao Hezbollah e ao Hamas, grupos considerados terroristas pelos governos ocidentais. Porém, é interessante observar que os dois movimentos surgiram, respectivamente, em resistência à violência e agressão israelenses contra o Líbano e a Palestina, respaldadas pelos Estados Unidos em defesa de seu grande aliado na região. Destarte, é possível concluir que os Estados Unidos não buscam paz e estabilidade para a região, mas sim a contenção da influência iraniana no Oriente Médio, que apresenta uma ameaça aos interesses israelenses.

Para além do financiamento de grupos considerados terroristas, outra preocupação acerca da ameaça iraniana seria a instabilidade que o Irã cria na região, para além de seu programa nuclear. De acordo com Chomsky, este é um discurso padrão dos Estados Unidos, que o autor considera o maior criador de instabilidades no Oriente Médio: “quando os Estados Unidos invadem um país, resultando em centenas de milhares de mortos e em milhões de refugiados, juntamente com bárbaros atos de tortura e destruição (…) isso é chamado de estabilização”.

Em suma, é possível dizer que os Estados Unidos só se preocupam com instabilidades no Oriente Médio quando estas não são causadas por tropas norte-americanas. Neste sentido, o Irã apenas representa uma ameaça aos “Estados que assolam a região e não querem tolerar qualquer tipo de impedimento ao seu recurso à agressão e à sua confiança na violência”.

Essa postagem foi retirada do texto “A possível nuclearização do Irã e seus impactos na ordem mundial: qual é a real ameaça?“, de Vinícius Vilas Boas e Maria Paula Nascimento. Para acessar o texto na íntegra: https://pucminasconjuntura.wordpress.com/2018/05/29/a-possivel-nuclearizacao-do-ira-e-seus-impactos-na-ordem-mundial-qual-e-a-real-ameaca/